Seguindo pela rua cinzenta em uma tarde calma e monótona, Pedro não sabia para onde ia, mas tinha uma certeza quase absoluta de que seguia em frente, que enfrentaria a luta e que nada iria desvia-lo do caminho incerto porém determinado.
Via em seu caminho a alegria da criança que ganhara um doce, a tristeza da bela moça que a espera de alguém olhara pra ele e sorrira. Seria ela um desvio no caminho dele ou o destino certo porém desconhecido que lhe fazia andar com tanta certeza sem ter certeza alguma de onde ir.
Um olhar de apenas segundos parecia ter dado alguma cor aquela tarde que era cinza, parecia ter criado vida na rua tão sofrida. A alegria do garoto era ínfima perante a alegria que lhe passava agora.
Cabelos loiros, olhos verdes como as árvores que só agora percebera em seu longo caminho, sorriso simples e tão belo que pensou por um momento ser impossível de existir, vestindo um lindo vestido azul da cor do céu, céu esse que agora não possuía mais nuvens nem tão pouco prédios atrapalhando a sua beleza natural.
Paixão a primeira vista?
Não, Pedro estava certo de que era apenas um olhar cruzado pela simples coincidência do dia a dia. Essas de que todos estamos certos de que são apenas coincidências, que se tivéssemos a sorte de não ser, seriam vistas como um presente do mundo para tantos Pedros que existem por esse mundo.
Tudo isso em apenas um Segundo? Era isso que Pedro pensava.
Por um instante o mundo parara e a mente viajara em todas direções; consciente, subconsciente, todos, em busca de uma explicação para aquele momento mágico.
Eis que ele retomou ao tempo real e retribuiu o sorriso da moça. Para ele o sorriso não estava à altura da beleza dela, mas saiu de sua face tão automaticamente que lhe deu um certo frio na barriga.
Seria ali mesmo o fim de sua caminhada? Só se passaram quatro segundos, mas a mente dele ignorava o tempo e trabalhava em toda sua capacidade, fazendo até com que o coração desse uma ajuda. Sim, ele sentiu algo em seu coração. A beleza daqueles cabelos loiros despertara em Pedro algo que ele não tinha o prazer de sentir ha tempos.
Eis então que ele passara para o quinto segundo e resolveu dar um passo a mais em seu caminho, para assim chegar mais perto de toda aquela beleza que transformou seu dia cinzento em tarde colorida e cheia de vida.
O passo foi dado, estava ele ali, em frente a mais bela moça que já tivera o prazer de “conhecer”.
Pedro, no sexto Segundo, resolveu falar algo. Ele está ali, petrificado diante de tanta beleza, tanta simpatia, as palavras estão saindo de sua boca. “Oi….” Eis que a moça levanta de repente interrompendo assim a fala de Pedro.
Mais uma vez o tempo parece parar. O que será que ela fará? Por que levantara? Iria embora? Falaria com ele?
O tempo continua e Pedro percebe que a moça está indo embora. Não falara com ele. Perplexo ele pensa o por quê ela estaria sendo tão simpática e quando ele se aproximara ela o abandonara. Pedro resolve então voltar ao tempo normal e ir atrás da moça. Ele se vira para o lado em que ela fora. Indignado ele decidira indagar a bela moça [que não era mais tão bela agora]. Pedro vai até ela e pergunta: -Por que me deu esperanças e agora me deixa só? Mas ele não recebe reposta alguma, ela fica ali parada apenas olhando para ele sem falar uma palavra. Eis que Pedro pergunta novamente, desta vez não tão calmo como estava antes.
-Por que não fala comigo ?
Mais uma vez a resposta vinda dela é nula. Nenhuma palavra saíra da bela boca que ha momentos sorrira tão belo para ele. Agora ele não tinha mais calma alguma. O dia já havia ficado cinza novamente, na verdade o dia estava agora quase preto, a noite estava anunciando-se. Pedro agora grita:
-QUAL O SEU PROBLEMA ? NÃO ESTÁ ME VENDO AQUI ?
Aí uma voz masculina e nervosa grita de volta:
-ESTOU VENDO O SENHOR SIM, SÓ NÃO ESTOU LHE ENTENDENDO.
Pedro fica atordoado, não está entendendo mais nada. Quem era aquele que lhe gritava de volta ? O que ele está fazendo junto a bela moça ? Ele tenta ficar calmo, mas não consegue.
-Respire Pedro, fique calmo Pedro, respire, respire. [Ele fala para si mesmo].
Mais calmo um pouco , fala para o homem a sua frente:
-Quem é o senhor ? Onde está a bela moça que estava aqui até agora ?
O homem a sua frente reponde com um ar de estranheza:
Homem: -Essa que está aqui comigo? É desta moça que você fala ?
Pedro: -Sim! É ela mesma. Mas o que ela está fazendo com você ? Por que está com ela embaixo dos braços ?
Homem: -Senhor ? Qual o seu problema ? O senhor é louco ou o que ?
Pedro: -Problema algum. Alias tenho um problema sim. Essa moça que está com você não quer falar comigo.
Homem: - Na verdade o senhor tem um problema sim, e dos grandes. Essa “moça” aqui com a qual o senhor insiste em conversar, é de papelão. Não sei se o senhor percebeu…..
O tempo parou novamente para Pedro. A mente dele estava mais agitada do que nunca. Milhões de pensamentos lhe passavam a cabeça. Ele olha novamente para a “moça” e percebe que realmente o homem em sua frente está certo.
Mas por que ele se enganara? Será que ele estaria ficando louco ? O mundo o havia alterado ?
Eram tantas perguntas que ele não sabia mais de nada. Pediu desculpa para o homem e continuou andando pela rua cinza. Agora não mais em uma tarde cinza e calma, mas sim em uma noite escura e conturbada.
E você, quantas vezes o mundo lhe engana por dia?
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mais um dia no mundo...
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